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Coisas
do Cotidiano. Textos com um tanto de humor e ironia, sobre as coisas do
cotidiano.
Eu
não gosto de Telefones
-
Jacqueline Collodo Gomes
É,
eu não gosto. Não, não dos aparelhos em si... Tem
alguns que são até bem legais, com um design charmoso, moderno,
mas... Eu não gosto é desta tal interação
telefônica.
Coisa que mais detesto, dentre as coisas que mais detesto, é parar
o que estou fazendo para atender o telefone. Só o barulhinho do
toque já me faz querer contar de um até dez. Principalmente
se eu estiver fazendo algo que requer as mãos bem limpas, como
cozinhar. Nossa, como mexe comigo ter que largar a panela, os legumes
que estou picando, e até mesmo às vezes ter de desligar
o fogo para a comida não queimar - quando se trata de alguma receita
que durante sua preparação precisa ser mexida e remexida,
só para atender o telefone, e aí, ah, sim, aí descobrir
que não era algo realmente tãããão importante
assim que eu precisasse parar o que estava fazendo para atender aquela
ligação. Eu podia mesmo ter deixado cair na secretária,
ou descobrir mais tarde quem havia ligado consultando o identificador,
o que era a minha vontade a princípio.
O que me lembra, claro, de avisar a você que está lendo esta
mensagem, e que gosta de mim, de não me ligar. Não me ligue!
Claro, porque, se você realmente gosta de mim, você não
vai me ligar... Afinal, você sabe que eu detesto atender o telefone.
Mande-me um e-mail, uma carta, flores com um bilhetinho... Ou mesmo, passe
um bilhetinho por debaixo da minha porta - isto é tão legal!
Sabe que pode se conhecer muito de uma pessoa pela sua letra? Mas, não,
não, não me ligue! Porque, mesmo que for você, que
é uma pessoa que eu gosto muito, eu vou ficar irritada, só
porque vou atender o telefone. Sentiu o drama?
Mas pior ainda do que deixar tudo para atender o telefone é descobrir,
do outro lado da linha, um atendente oferecendo um serviço que
eu já tenha, ou então, que não tenho o mínimo
interesse de adquirir. Dia desses, por exemplo, eu falei pra atendente
que não tinha interesse da oferta do combo (internet + tv a cabo
+ telefone) que ela estava me oferecendo, mas, mesmo assim ela insistiu
para me falar da promoção. "Moça, realmente
não temos interesse. Eu já possuo internet banda larga,
e não temos interesse em assinar tv a cabo." "Mas, senhora,
é uma oferta imperdível, e etc. A senhora não quer
ouvir a proposta?" Em qual língua eu precisaria falar para
que ficasse bem claro que não, não, não ia assinar?
Eu não entendi mesmo! Eu já tinha dito que não me
interessava. Era perda de tempo ela falar, falar, eu não ia assinar;
eu não era uma cliente em potencial! Por que ela simplesmente não
desligou e partiu para uma outra ligação, onde viesse a
conseguir realmente um cliente em potencial, interessado em ouvir e aderir
à proposta? "Moça, tudo bem, pode falar, mas eu já
adianto que não vamos querer o serviço.", eu falei,
achando a situação um tanto cômica. E não é
que ela falou mesmo? É, ela falou tudo. Acho que ela pensou que
eu poderia mudar de ideia... Mas não pense isso de mim. Quem não
gosta desta interação telefônica vai apenas em uma
direção.
20/01/2011,
19:10hs.
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