Publicou
nessa fase o seu primeiro conto, Tragédia na Roça.
Casou-se em 1910
com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou,
no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Nesse Estado passou
quarenta e cinco anos, vivendo inicialmente no interior, nas cidades
de Avaré e Jaboticabal, e depois na capital, onde chegou em 1924.
Ao chegar à capital, teve que permanecer algumas semanas trancada
num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que
os revolucionários de 1924 pararam a cidade. Em 1930 presenciou
Getúlio Vargas chegando à esquina da rua Direita com a
praça do Patriarca. Um de seus filhos participou da Revolução
Constitucionalista de 1932.
Com a morte do marido, Cora ficou ainda com três filhos para acabar
de criar. Sem se deixar abater, vendeu livros em São Paulo, mudou-se
para Penápolis, no interior do Estado, onde passou a vender lingüiça
caseira e banha de porco que ela mesma preparava. Mudou-se em seguida
para Andradina, até que, em 1956, retornou para Goiás.
Ao completar cinqüenta anos de idade, a poetisa sofreu uma profunda
transformação em seu interior, que definiria mais tarde
como a perda do medo. Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo
e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás.
Durante esses anos, Cora não deixou de escrever, produzindo poemas
ligados à sua história, à ligação
com a cidade em que nascera e ao ambiente em que fora criada.
Cora Carolina morreu em Goiânia, em sua casa, que foi transformada
em um museu e que foi deixada exatamente como Cora Carolina arrumou.
Primeiros
passos literários
Os elementos folclóricos que faziam parte do cotidiano de Ana
serviram de inspiração para que aquela frágil mulher
se tornasse a dona de uma voz inigualável e sua poesia atingisse
um nível de qualidade literária jamais alcançado
até aí por nenhum outro poeta do Centro-Oeste brasileiro.
Senhora de
poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e seu desconhecimento
acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção
artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada
em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real
papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu
cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás,
que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor
caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.
Livros
e outras obras
-
Estórias da casa velha da ponte
- Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais
- Meninos verdes (Infantil)
- Meu livro de cordel
- O tesouro da casa velha
- A moeda de ouro que o pato engoliu (Infantil)
- Vintém de cobre
Divulgação nacional
Foi ao ter sua poesia conhecida por Carlos Drummond de Andrade que Ana,
já conhecida como Cora Coralina, passou a ser admirada por todo
o Brasil.
Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás,
foi publicado pela Editora José Olympio em 1965, quando a poetisa
já contabilizava 75 anos. Reúne os poemas que consagraram
o estilo da autora e a transformaram em uma das maiores poetisas de
Língua Portuguesa do século XX. Onze anos mais tarde,
em 1976, compôs Meu Livro de Cordel. Finalmente,
em 1983 lançou Vintém de Cobre - Meias Confissões
de Aninha (Ed. Global).
Cora Coralina foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio
Juca Pato da União Brasileira dos Escritores em 1983. Dois anos
mais tarde, veio a falecer.
Observação:
Segundo
informações após contato com Célia Bretas
Tahan, jornalista, escritora e neta de Cora Coralina, esta confirmou
que todos os poemas inéditos de Cora se encontram em poder de
sua mãe, Vicência Brêtas Tahan (única filha
de Cora ainda viva e autora da biografia romanceada "Cora Coragem
Cora Poesia") e o poema vinculado pela mídia "Não
Sei" e/ou "Saber Viver" não faz parte deste acervo.
Fonte: Wikipédia