Affonso
Romano de Sant'ana costuma estabelecer que a poesia de Carlos Drummond
a partir da dialética “eu x mundo”, desdobrando-se
em três atitudes:
Eu maior
que o mundo — marcada pela poesia irônica
Eu menor que o mundo — marcada pela poesia social
Eu igual ao mundo — abrange a poesia metafísica
Sobre a poesia política, algo incipiente até então,
deve-se notar o contexto em que Drummond escreve. A civilização
que se forma a partir da Guerra Fria está fortemente amarrada
ao neocapitalismo, à tecnocracia, às ditaduras de toda
sorte, e ressoou dura e secamente no eu artístico do último
Drummond, que volta, com frequência, à aridez desenganada
dos primeiros versos: A poesia é incomunicável / Fique
quieto no seu canto. / Não ame. No final da década de
1980, o erotismo ganha espaço na sua poesia até seu
último livro.
Temas típicos da poesia de Drummond
O Indivíduo: "um eu todo retorcido". o indivíduo
na poesia de Drummond é complicado, torturado, estilhaçado.
A Terra Natal: a relação com o lugar de origem, que
o indivíduo abandona.
A Família: O indivíduo interroga, sem alegria, mas sem
sentimentalismo, a estranha realidade familiar, a família que
existe nele próprio.
Os Amigos: "cantar de amigos", (título que parafraseia
com as Cantigas de Amigo). Homenagens a figuras que o poeta admira,
próximas ou distantes, de Mário de Andrade a Manuel
Bandeira, de Machado de Assis a Charles Chaplin.
O Choque Social. O espaço social onde se expressa o indíviduo
e as suas limitações face aos outros.
O Amor: Nada romântico ou sentimental, o amor em Drummond é
uma amarga forma de conhecimento dos outros e de si próprio
A Poesia. O fazer poético aparece como reflexão ao longo
da sua poesia.
Exercícios lúdicos, ou poemas-piada. Jogos com palavras,
por vezes de aparente inocência näif.
A Existência: a questão de estar-no-mundo...
Fonte: Wikipédia